Fazendo limonada no Dia da Idéia Lemon School

A Lemon School faz limonadas com idéias. No Dia da Idéia, um novo evento para comemorar o aniversário de 5 anos da escola curitibana de criatividade, trouxe quatro grandes nomes da publicidade nacional e internacional: Ignácio Ferioli, da Del Campo Nazca Saatchi & Saatchi de Buenos Aires; Erick Rosa, da Leo Burnett de Lisboa; Renato Fernandez, da Almap BBDO; e James Pedroso, da Jamute Áudio.

Durante as quase 9 horas de duração do evento, os palestrantes encheram os olhos da galera com criatividade, dicas de carreira na área, cases espetaculares e muitas, muitas idéias fascinantes! Eu aproveitei para gravar alguns pedaços do dia e com o material fiz um vídeo que resumirá todo esse sábado, vejam:

Gostou? Leia abaixo com detalhes como foram as palestras que essa galera assistiu.

Ignácio Ferioli: a máquina de teletransporte e o chocolatômetro

A começar por Ferioli, que com um espanhol falado pausadamente conseguiu fazer-se entender com a platéia. Foi diretor de criação de dois cases muito inspiradores, cada qual para um público diferente: o primeiro da cerveja Andes, criação da Máquina de Teletransporte; o segundo do chocolate Cadbury, criação do Chocolatômetro.

A fama do case da cerveja Andes já precedia a apresentação: uma cabine a prova de som que reproduzia diversos tipos de efeitos sonoros para dar impressão ao telefonema de que o interlocutor realmente estava naquele ambiente. Usado malandramente por rapazes que queriam beber no bar com seus amigos, mas eram atormentados por suas mulheres e namoradas, eles entravam na cabine e “teletransportavam-se” para um hospital, uma estrada perigosa, um tráfego tumultuado, pra casa de algum parente para cuidar de um sobrinho, enfim, eram muitas as alterantivas.

O cholocate Cadbury, que já tem fama de campanhas inteligentíssimas, tinha o problema de estar ser afastando do seu posicionamento desejado, o público feminino, por este considerar o chocolate aquém de suas realidades financeiras. Numa solução criativa, emanou-se na a campanha na qual um homem, numa demonstração de afeição, carinho e dedicação em situações simples do dia a dia, progredia no “chocolatômetro” da Cadbury, mas quando faltava um quadradinho de chocolate para atingir o nível de uma barra completa, cometia uma mancada homérica que justificava porque “Nenhum homem é tão bom quanto uma barra inteira de Cadbury”. Esta campanha, extendida na internet, criou um site no qual as mulheres responderiam a pergunta “Por que nenhum homem é tão bom quanto uma barra inteira de Cadbury?” e a ganhadora receberia de prêmio as duas coisas que a mulher mais gosta: o peso de seu homem em chocolate.

Ferioli também surpreendeu-nos com outra idéia criativa de campanha na qual a Cadbury usou a oportunidade da Copa do Mundo para impactar seu público feminino: foi criado um aplicativo para Facebook no qual, para demonstrar que um homem gosta mesmo da mulher, teria que mandar para ela durante o jogo da Argentina uma mensagem personalizada para a amada. Aqueles que passassem mais tempo galanteando durante o jogo da Argentina mostrariam-se dignos do amor da mulher. Além disso, ao invés de pintar o rosto com a bandeira do país, foi sugerido que pintassem o rosto com o nome da amada, para ganhar mais pontos. A campanha foi um sucesso, mais isso já era de se esperar devido ao teor criativo da campanha!

Erick Rosa: as campanhas da Leo Burnett que ganharam 12 prêmios em Cannes

Erick Rosa, direto de uma video conferência via Skype com a platéia, apresentou alguns dos cases que ganharam o Leão de Cannes este ano.

A Loja que Vendia Esperança, um case que mostrou como os criativos solucionaram o problema de arrecadar recursos para uma obra sem fins lucrativos. Partindo da premissa que as pessoas estão anestesiadas com todas as campanhas que existem para arrecadar fundos, a agência criou algo mais tangível para vender o intangível: uma loja cujo produto principal era a Esperança. Vendendo encartes que contavam como a vida de alguém mudaria com a compra deste, a agência conseguiu um incrível buzz ao redor da loja.

No ano seguinte, a agência inovou mais uma vez. A idéia da loja já teria perdido sua força a essa altura e por mais que as pessoas continuassem indo lá, o fogo da idéia estava fadado à extinção. Foi aí que criaram outro produto para a loja, ou melhor, uma embalagem diferente para o produto: ao invés de simples encartes, o produto agora eram livros com capas criativas e coloridas, compostas pelos melhores ilustradores de Portugal, cujo título sugeria o que aconteceria com o personagem caso a pessoa comprasse o livro. Detalhe: numa aula de semiótica, a agência vendeu os livros com todas as páginas em branco, simbolizando que a história não tinha sido escrita e só o poderia ser caso houvesse o apoio do comprador.

Outro case muito criativo apresentado surgiu com um acidente na reunião de negócios da agência com seu anunciante, o supermercado português Lidl. Um dos integrantes chegou atrasado e, ao desculpar-se pelo atraso, culpou o trânsito. Outro indivíduo da mesa debateu dizendo “Maria anda cerca de 60km a pé todos os dias para beber água”. Erick Rosa ficou chocado com a notícia e procurou saber mais sobre ela. Maria era uma habitante de Nova Guiné que precisava andar a pé grandes distâncias com o filho nas costas para conseguir água, para conseguir sobreviver. Daí veio o insight criativo de Erick para sugerir que Maria andasse a maratona de Portugal simbolizando a maratona diária que ela fazia. Erick mudou a campanha da Lidl para absorver essa nova idéia. Chamou a campanha de projeto Viva, na qual o supermercado venderia garrafas de água para conseguir fundos para a construção de poços artesianos na região de Maria. Enquanto muitos percorriam a maratona por prazer, Maria o fazia para demonstrar uma rotina de sua vida, e nas suas mãos levava uma garrafa de água vazia, para simbolizar a escassez do líquido mais importante do mundo.

Ainda para o cliente Lidl, Erick desenvolveu uma campanha para transmitir que o supermercado apesar de barato vendia produtos de alta qualidade. Contratou um chef para fazer uma refeição de primeira classe e servi-la à classe econômica de alguns voos de avião. Com a assinatura “Lidl, aqui a qualidade é barata”, a campanha visava mostrar que é possível um produto de qualidade em um ambiente de pechinchas e preços baixos.

O outdoor supersticioso também foi um case que chamou atenção. Considerando que as pessoas estão anestesiadas para esse tipo de mídia, não prestando mais atenção a ela, a Leo Burnett teve que inovar e conceber uma forma das pessoas notarem o outdoor do cliente Freeport. Para a campanha “você é supersticioso?” eles criaram um outdoor com uma escada e dois painéis de sinalização de pontos: um para SIM e outro para NÃO à pergunta da campanha. Aqueles que passassem debaixo da escada marcavam um ponto para o NÃO; aqueles que fizessem o contrário marcariam ponto para SIM.

Outro case inovador que causou um incrível buzz na internet foi o Tyrannybook da Amnistia de Portugal, uma rede social na qual, ao invés de adicionar e seguir as atualizações de seus amigos, os usuários ficam de olho nos seus inimigos: os tiranos que desrespeitam os direitos humanos. Durante três semanas o Tyrannybook permaneceu no ar, mas teve que sair porque estava hospedado no servidor da agência e o volume de acessos (3.633.930 para ser exato) causou congestionamento nos e-mails e outros problemas para eles e para outros clientes.

Renato Fernandez: como roubar o emprego dele na AlmapBBDO

O Renato Fernadez, um curitibano que já trabalho na Master daqui e tem um irmão gêmeo também diretor de arte, palestrou sobre carreira incentivando a criatividade dos alunos ali presente. De uma forma descontraída, apresentou os cases nos quais trabalhou e falou sobre quais as qualidades essenciais de um bom profissional, aquele capaz de roubar sua vaga na AlmapBBDO.

O Renato falou mais especificamente sobre direção de arte, mas seu discurso teve um teor que pode ser extendido para outras áreas não só da Publicidade, mas da vida também.

Foram 9 dicas intercalados de dicas e cases, dentre eles a Havaianas, a Volkswagen e Embratel, tais como: Publicidade não se ensina, se aprende; Não seja mala; Pouco é um lugar que não existe; Faça você mesmo; Mostre só as melhores idéias; Corra riscos; Faça o que eu não faço.

(Sim, eu só listei sete. É porque haverá um vídeo da Lemon School com todas as palestras, vou deixar você curioso sobre qual foi as duas últimas)

Uma das campanhas que ele participou foi a da Nike Tag+, segue abaixo:

James Pedroso: criando de um spot de 30 segundos

James Pedroso, com muita descontração e ânimo, compartilhou com a gente como é feito e o que é preciso para fazer um spot de rádio. Falou sobre o papel de uma produtora de som e sobre como buscar inspiração para grandes idéias. Ele defende que o rádio é a mídia que mais mexe com a imaginação das pessoas, pois o som permite isso.

O spot criado foi concebido para a própria Lemon School, no qual um rapaz tem várias idéias durante, mas isso começa a atrapalhar a vida dele. Na Lemon School ele encontra o alívio para tratar essas idéias. Foi um spot muito divertido de se ver criando e fechou com chave de ouro essas 9 horas de criatividade!

Minha opinião sobre o evento

Eu fiquei muito satisfeito com todas as palestras que assistimos e valeu mesmo a pena ter acordado cedo no sábado para vê-las! De quebra me diverti um monte com os colegas de turma, que se mostraram participativos tanto na palestra quanto no vídeo que foi gravado.

Quanto a todas as idéias apresentadas e como eu disse no vídeo, o que me interessa é saber o caminho que o criativo tomou para chegar na idéia e a coragem que ele deve ter para persegui-la mesmo quando o tempo está contra você. Uma coisa que todos frisaram no discurso foi que todo esse trabalho criativo não seria possível sem um repertório rico e uma paixão imensa pelo trabalho.

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