Crônica: Apresentada em sala de aula, sobre hipocrisia

Cronica-HipocrisiaMais um trabalho para a faculdade, dessa vez me coube escrever uma crônica!

De acordo com o próprio professor, as crônicas de nossa sala foram as melhores que ele já havia escutado. Aliás, ajudou-o a “refrescar os ouvidos” depois de ter corrigido provas do ENADE.

Não só minha crônica, mas também de todos meus colegas de turma, estão publicados no blog Lápis Invisível, publicado pelo nosso professor Marcus Vinicius Santos Kucharski.

Só para nota, ao final da crônica há uma contradição. E ela é proposital.

Hipocrisia

A parte mais emocionante de passar por uma confusão violenta é que não dá para confiar na previsão do comportamento dos outros. Raiva e inconformidade fazem aqueles que apenas pensavam, falarem as suas idiotices.

A confusão por si só não tinha motivos. Ao que parece, um bandido tentou assaltar um estabelecimento de venda de refrigeradores na Brasílio Itiberê, a polícia foi chamada e agiu rápido, prendendo o gatuno uns cinco minutos antes de eu chegar na esquina. As pessoas ao redor, que me faziam companhia como observadores do evento, repetiam em uníssono “Que que é isso?!”.

_Que que é isso?! – eu falei.

Isso, depois da ação da polícia, é o que acontece quando algumas pessoas têm a oportunidade de descarregar a revolta da injustiça que percebem em suas vidas. O bandido, deitado no chão da calçada, de cócoras e queixo colado ao peito, protegia-se da agressividade gratuita dos comerciantes da loja de refrigeração e do açougue ao lado. Os golpes alternavam entre chutes e adjetivos. Eu já estava passando pela frente, diminuindo para a segunda marcha enquanto virava o pescoço para assistir a cena. O meliante tentava levantar-se, mas era logo devolvido a sua posição indefesa por aqueles que o cercavam.

A polícia cuidava para manobrar o carro na calçada e quando o fizeram, um dos agentes da lei se aproximou do bandido algemado, pegou em seu braço e o levou para a cabine do automóvel. Coloquei o carro na entrada do estacionamento, que por infeliz coincidência fica ao lado do açougue e a frente de um departamento do governo. Saí do veículo a tempo de presenciar a segunda cena de violência daquela tarde.

Ao que deu para entender, um dos motoboys que estavam do outro lado da rua começou a desafiar os policiais e os açougueiros, no sentido de que eles não teriam coragem para insultar o bandido, se não estivesse preso. A plenos pulmões ele bradava, com apoio de seus colegas, e nesse ponto não era somente a adrenalina do bandido que estava alterada. Os açougueiros compraram a provocação e o bate-boca chegou mais próximo do bate do que da boca.

Eu sai do carro para entregar a chave ao manobrista do estacionamento, o qual estava, como todos os demais, assistindo boquiaberto o episódio daquele fim de tarde. Motoboys seguravam os capacetes com os braços erguidos na intenção de desferir um golpe aos que se aproximavam. Chutes, socos, capacetadas, insultos recheavam a confusão e um dos motoboys acabou caindo no chão, bem como antes caiu o ladrão. Os policiais entraram em cena para apartar a briga e socorrer aquele que fora pisoteado pelos açogueiros. Só vi ele se levantando, com o semblante tingido de vermelho-sangue, respirando com dificuldade.

Eu, que de bobo não tenho nada, mantive uma distância segura disso tudo. Quando o problema parecia ter sido controlado, continuei com meu caminho. Pelo menos meu carro não foi arranhado.

Idéia de Crônica

Uma última nota, ontem depois da aula, a caminho de casa no ônibus com minhas colegas Laís e Tássia, o ônibus parou subitamente. O que aconteceu em suma foi uma assalto que ninguém viu e se viram, não fizeram nada. Como teve uma crônica de um dos meus colegas que fala sobre como as pessoas estão acostumadas com a violência nas suas voltas, nos veio a idéia de escrever uma crônica sobre o evento inusitado.

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