O Menino do Pijama Listrado, livro e filme

Antes de dar minha opinião, eu não chorei no final. Nem do livro, nem do filme. O livro é deveras entristecedor ou como diriam outros, perturbador. Mas deve ser lido, ah se deve! Vou dizer abaixo porque você deve ler este livro, de preferência antes de ver o filme.

O livro

John Boyne foi genial na história. A narrativa é envolvente e inocente, como vê o mundo uma criança. Há muitas resenhas e revisões deste livro na internet, então não vou extender-me muito falando do resumo dele. E como em qualquer resenha ou revisão, vou aconselhar você veementemente: leia esse livro!

O que mais me agradou foi a visão de Bruno sobre o momento histórico no qual ele vivia e, como eu havia lido em outro blog, “a inocência do Bruno não fazia nenhum bem a ele”. O trabalho do pai dele era um mistério, o menino foi forçado a sair da casa que gostava tanto e ninguém dava atenção a ele. Aliás, pais, cuidem de seus filhos para que eles não se metam nos mesmos tipos de encrencas que pequeno alemão do livro!

A amizade que floresceu com Shmuel nos faz perceber como as crianças não vêem maldade nos outros. E com elas deveríamos aprender a fazer as pazes com mais frequência. Como você verá no livro, houve um ponto em que muito adulto por aí não perdoaria Bruno pela bobagem que ele fez.

O autor trabalha com primazia o desenrolar da amizade dos dois garotos, motivo pelo qual o livro é tão comovente. Com argumentos simples e óbvios, o autor tenta contestar porque raios os alemães fizeram aquilo ou permitiram que aquilo acontecesse. O leitor, sabendo da diferença política entre ambos, cai direitinho no dilema dos últimos capítulos.

Boyne também não se preocupa em focar na historicidade do nazismo no livro, restringindo-se apenas à visão inocente de Bruno sobre o que acontecia ao seu redor. Também pudera, já estamos todos muito bem informados sobre o que foi o III Reich e o que foi o Holocausto.

Este livro mostra-nos como não devemos nos esquecer de que o Holocausto existiu e que não deve ser esquecido. Conforme já visto em Die Welle, um regime autocrata pode voltar a acontecer, caso não pensemos por nós mesmos.

O filme

Depois de ler o livro, fui bem faceiro ver o filme. Pensava que ia ser simplesmente “ducaraleo”, mas qual foi minha surpresa (lê-se decepção) já nos primeiros minutos do filme!

Obviamente, quem não leu o livro decerto afogou-se no próprio choro. É sempre triste ver uma criança passar por aquilo que Bruno e principalmente Shmuel passaram. Isso porque nem falei do retrato do dia-a-dia dos judeus naquela época e como eles eram tratados.

Mas acontece que o filme é light comparado ao livro. A começar que Bruno não tinha uma ligação muito forte com o pai, nem com a mãe, e Gretel “Caso Perdido” era uma menina muito mais pentelha e vazia na versão original. Bruno não raspou o cabelo no filme e essa simples omissão tirou do enredo uma reflexão muito forte sobre igualdade entre ele e Shmuel. E como se não bastasse, o final é muito mais dramático no filme que no livro, mas entendo o porquê: queria-se terminar com aquele close demorado na porta da sala de extermínio para causar mais emoção ao filme.

Todavia, o filme não é ruim. É muito bom, por acaso. Apenas gostaria que fosse tão chocante como o próprio livro, pois queria sentir com mais intensidade aquele sentimento de revolta, de perturbação, de tristeza e injustiça que você sente ao formular o conto na sua cabeça. Com os efeitos visuais e sonoros que dispomos hoje, imaginei que esse misto de sensações iria ser elevado à décima potência e eu ia me sentir deprimido pelos próximos oito dias com o desfecho.

Não foi o que aconteceu.

Resta-me partir agora para outra história, depois de ter esgotado as reflexões que me interessavam desta. Estou no início de um outro must-see da literatura: 1984. E estou gostando muito.

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